35 anos de democracia, episódio 2 - seis presidentes e uma ilha, a liderança municipal do Presidente José Maria Barros

Cidade de Nova Sintra, 08 de Fevereiro de 2026 (Bravanews) - José Maria Barros ocupa um lugar de destaque na história política recente de Cabo Verde e, de forma muito particular, na memória democrática da ilha Brava. Segundo Presidente da Câmara Municipal da Brava na era democrática, foi uma das figuras mais influentes do Movimento para a Democracia (MPD) na ilha, desde os primórdios da fundação do partido, afirmando-se como um dirigente de convicções firmes, visão clara e profundo sentido de missão pública.

Feb 8, 2026 - 18:51
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35 anos de democracia, episódio 2  - seis presidentes e uma ilha, a liderança municipal do Presidente José Maria Barros

Militante histórico do MPD, José Maria Barros esteve entre aqueles que ajudaram a estruturar e consolidar o partido na Brava num período decisivo da transição democrática cabo-verdiana. A sua ação política foi marcada por uma forte ligação às populações, pela defesa intransigente das liberdades fundamentais e por um compromisso sério com os princípios consagrados na Constituição da República de 1992.

Eleito Presidente da Câmara Municipal da Brava para o mandato de 1996 a 2000, sendo Presidente da Assembleia Municipal Jose Goncalves, Barros exerceu as suas funções com distinção, vigor e responsabilidade. À frente dos destinos do município, procurou afirmar uma governação próxima dos cidadãos, consciente dos enormes desafios estruturais da ilha, mas determinada em promover o desenvolvimento local, a dignidade institucional e o reforço da autonomia municipal. A sua liderança marcou uma época política na Brava, sendo lembrada pelo carisma, competência e firmeza com que representou o MPD.

No que diz respeito a obras estruturantes realizadas durante o seu mandato, Bravanews regista que não dispõe, neste momento, de informação detalhada sobre um conjunto alargado de projetos ou investimentos relevantes concretizados nesse período. Ainda assim, é importante recordar a conclusão do Estádio Municipal Aquiles de Oliveira, uma infraestrutura desportiva de grande simbolismo para a ilha, que passou a servir a juventude bravense e a dinamizar a prática do desporto, permanecendo até hoje como uma referência no concelho.

Para além da governação municipal, José Maria Barros serviu Cabo Verde como Deputado Nacional, levando ao Parlamento a voz da Brava e contribuindo para o debate político nacional com seriedade, elevação e sentido de Estado. O seu falecimento representou, por isso, uma grande perda não apenas para o MPD, mas para todo o sistema político cabo-verdiano, em especial para o Parlamento, onde deixou uma marca de compromisso democrático e serviço público.

Após a sua derrota eleitoral, viveu um dos momentos mais difíceis da sua trajetória pessoal e política, ao ser demitido do seu posto de trabalho na EMPA, num ato amplamente entendido como retaliação política por parte de figuras bem identificadas do PAICV. Apesar da injustiça e da dureza dessa decisão, José Maria Barros nunca renegou as suas convicções. Pelo contrário, manteve-se firme, digno e coerente, continuando a lutar pelo fortalecimento da democracia, da liberdade e pela afirmação dos valores do MPD.

Pessoa culta, cordial, firme e simultaneamente humilde, José Maria Barros foi um exemplo raro de coerência política. Soube defender, com integridade, os ideais do MPD dos anos 90, num tempo em que a jovem democracia cabo-verdiana exigia coragem, sacrifício e sentido histórico. Encarnou uma geração de dirigentes que colocaram o interesse público acima das conveniências pessoais e partidárias.

José Maria Barros não foi apenas um protagonista da história política da Brava; foi um dos seus mais lúcidos intérpretes e construtores. A sua vida e o seu percurso permanecem como referência para as gerações atuais e futuras, lembrando que a política, quando feita com princípios, pode ser um verdadeiro serviço à comunidade.

Paz à sua alma.