Da terra ao alambique, o processo do cultivo e colheita da cana-de-açúcar para produção de aguardente JBEY
Cidade de Nova Sintra, 25 de Janeiro de 2026 (Bravanews) - A produção de aguardente JBEY começa muito antes da destilação. Nasce na terra, no ritmo da natureza e no saber ancestral da ilha Brava, onde a cana-de-açúcar é cultivada com respeito, paciência e profundo conhecimento do território.
A cana é plantada diretamente na Brava, em socalcos voltados para o mar, aproveitando a fertilidade do solo vulcânico e a exposição solar privilegiada. Cresce ao sol generoso do Atlântico, acariciada pela brisa oceânica, que ajuda a equilibrar a maturação e a concentração dos açúcares. Cada parcela é cuidada manualmente, seguindo práticas tradicionais transmitidas de geração em geração.
Para a produção de aguardente JBEY utilizam-se duas variedades principais de cana-de-açúcar, ambas com características muito próprias.
A Cana Preta (Canne Noire) é considerada a melhor cana para a produção do grogue. Destaca-se pela sua elevada riqueza em açúcar, fator essencial para uma fermentação eficiente e para a obtenção de um destilado de elevada qualidade. Esta variedade oferece qualidades gustativas únicas, com perfis de sabor ricos, complexos e aromáticos, que conferem profundidade e identidade ao aguardente. O seu aspeto visual é igualmente marcante, com uma coloração escura intensa que varia consoante as condições de cultivo e maturação.
A Cana Riscada ou Cana Vermelha (Canne Rouge) é hoje uma variedade rara, em vias de desaparecimento. Na Brava, é cultivada apenas em pequenas parcelas, onde recebe cuidados redobrados e uma atenção quase artesanal. A sua coloração avermelhada, visível sobretudo nos caules e bainhas das folhas, distingue-a visualmente. Tal como a cana preta, apresenta um elevado teor de açúcar e, em algumas variedades, um rendimento muito interessante, o que a torna uma matéria-prima preciosa e altamente valorizada para produções limitadas e de caráter singular.
A colheita da cana destinada ao aguardente JBEY é feita exclusivamente de forma manual, parcela por parcela. O processo inicia-se com o corte da ponta da cana, que é cuidadosamente reservada para replantio, garantindo a continuidade do ciclo agrícola. Em seguida, separa-se o corpo da cana, selecionando apenas a parte de melhor qualidade. Os caules são então amarrados em molhos e transportados às costas dos homens pelos caminhos íngremes e estreitos da plantação.
Este trabalho exige enorme esforço físico, resistência e técnica apurada. Mais do que uma simples tarefa agrícola, trata-se de um verdadeiro ritual, enraizado na história e na identidade da ilha. É um saber-fazer local e ancestral, onde cada gesto tem um propósito e cada etapa influencia o carácter final do aguardente.
Assim nasce o aguardente JBEY: fruto da terra brava, do mar que a envolve e das mãos experientes de quem mantém viva uma tradição que respeita a natureza, a cultura e o tempo.
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