PAICV/Brava acusa Governo de eleitoralismo após visita de comitiva governamental à ilha

Nova Sintra, 2 de Fevereiro de 2026 (Bravanews) – A Comissão Política Regional do PAICV da Brava reagiu de forma crítica à recente visita de uma comitiva governamental à ilha, classificando-a como uma manobra eleitoralista de última hora, sem resultados concretos para o desenvolvimento local. A posição foi tornada pública através de uma nota de imprensa divulgada esta terça-feira, 3 de fevereiro, assinada pelo presidente regional do partido, Carlinhos Martins.

Feb 2, 2026 - 18:02
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PAICV/Brava acusa Governo de eleitoralismo após visita de comitiva governamental à ilha

Segundo o PAICV/Brava, a comitiva foi composta por mais de vinte dirigentes, incluindo 12 membros do Governo, um número que o partido considera inédito na ilha ao longo da última década. Para os dirigentes do PAICV, a dimensão da delegação contrasta fortemente com os dez anos anteriores de governação do MpD, período em que, alegadamente, a Brava nunca recebeu mais do que um membro do Governo em simultâneo.

No comunicado, o PAICV sustenta que a visita ocorre a poucos meses das eleições legislativas e é acompanhada pela assinatura de protocolos que, na prática, não passam de “declarações de intenções”, sem garantias de financiamento nem execução imediata de projetos. O partido afirma que não há compromissos claros de transferência de verbas nem prazos definidos para a concretização das promessas anunciadas.

A Comissão Política Regional sublinha ainda que, em dez anos de governação, a única obra considerada relevante para a ilha é a estrada que liga Fajã d’Água a Palhal, cuja construção apenas agora teve início, após um longo período de espera. Para o PAICV, este facto evidencia o abandono a que a Brava terá sido votada, com ausência de investimentos estruturantes em áreas fundamentais.

Entre as principais críticas apontadas estão as dificuldades persistentes no setor dos transportes, que continuam a isolar a população, a falta de melhorias significativas na saúde pública e a inexistência de verbas inscritas no atual Orçamento do Estado para a construção de um novo centro de saúde, apesar das promessas feitas pelo Governo.

O partido considera que a atual movimentação governamental demonstra “pânico” face ao aproximar das eleições, acusando o Executivo de tentar inverter a tendência com promessas tardias, gestos simbólicos e protocolos sem impacto real. “A população bravense não se deixa enganar por migalhas em fim de ciclo”, afirma o comunicado, sublinhando que a ilha não aceita ser lembrada apenas em períodos eleitorais.

Na nota, o PAICV/Brava enumera um conjunto de reivindicações que considera prioritárias para o desenvolvimento da ilha, destacando a necessidade de transportes marítimos e aéreos regulares e dignos, serviços de saúde de qualidade com um centro de saúde devidamente equipado, investimentos reais com verbas asseguradas e obras em curso, e maior respeito institucional pela Brava enquanto parte integrante e essencial de Cabo Verde.

A Comissão Política Regional conclui afirmando que a população está atenta e vigilante, rejeitando o que considera ser uma estratégia de última hora de um Governo “em fim de ciclo”. Para o PAICV, a Brava não quer promessas futuras nem ações simbólicas, mas sim respeito, investimento e desenvolvimento concreto no presente.

O comunicado é assinado por Carlinhos Martins, Presidente da Comissão Política Regional do PAICV da Brava, e data de 3 de fevereiro de 2026, em Nova Sintra.