Clube Social Português e os seus 100 Anos

  • 10/06/2018 14:25

Rhode Island, 4 Junho 2018

Por: Carlos Tavares

Clube Social Português e os seus 100 Anos

Tenho plena consciência quem sou e de onde venho. Resumidamente quero dizer que sou contra o paternalismo.

Neste mundo globalizado a nossa origem, o lugar onde nascemos, ou seja a nossa nacionalidade deixa de ser primordial, porque qualquer cidadão passa a ser cidadão do mundo. Este preâmbulo é para evitar algumas críticas levianas e qualquer mesquinhice a posteriori sobre este artigo.

Como cabo-verdiano e conhecedor dos laços históricos que unem Portugal e Cabo Verde, não posso ignorar ou deixar passar em claro a celebração do centésimo aniversário do Clube Social Português da cidade Pawtucket.

Por incrível que pareça, a minha motivação em rabiscar este artigo não foi um mero acaso e nem por ser o sítio escolhido por mim para festejar o meu aniversário. O propósito de escrevinhar estes parágrafos foi o jeito que elegi para reconhecer o mérito da atual direção deste Clube Social pela obra realizada e a realizar-se, e concomitantemente por ser um espaço de excelência para a efetivação das festividades crioula. Pois tem uma sala espaçosa e com uma boa localização.

Penso que que qualquer instituição que consegue atingir o bonito marco de centenário é razão de regozijo e de reconhecimento às varias direções que por ali passaram. Sem contudo, deixar de enaltecer esta ou aquela direção por se destacar entre as outras, como é o caso da atual administração capitaneado pelo o Senhor Rui Spranger Presidente da Direção – Vicê-Presidente Manuel Alves - Secretário Duarte Farias – Tesoureiro José Borges – Assistente de Tesoureiro - Mário Nunes – Secretário de Registos António Correia – Secretário Abastecimentos – Rui Azevedo – Secretário de Correspondência - António Gomes  e Secretário Publicidade - José Pires.

 

Estou a residir há trinta e poucos anos na cidade de Pawtucket e sou um frequentador assíduo deste clube, principalmente nos fins-de-semana e de vez em quando a meio de semana, caso tiver que assistir uma partida de futebol por televisão. Aliás, posso aqui afirmar que apesar de ser um clube social para portugueses, nós os cabo-verdianos sentimo-nos aqui, em casa. Prova disso é que neste clube, constatando o carinho que a comunidade crioula nutre por este grémio, abriram uma exceção nos seus estatutos no que diz respeito a admissão dos sócios. Ou seja, apesar de serem um clube para portugueses, qualquer cabo-verdiano pode se tornar sócio desde que tenha nascido antes do dia 5 de Julho 1975.

Observando a minha afinidade a esta coletividade, seria uma descortesia minha, deixar passar as comemorações deste jubileu de forma despercebida. Pois, a obra realizada pela direção, capitaneada pelo Sr. Rui Spranger, per si merece a minha aclamação e encómio. A dinâmica implementada por ela deixará marcas indelével e que conservará ao longo dos tempos na memória dos seus associados, clientes e amigos. Hoje, estou em crer, que tanto portugueses, cabo-verdianos ou outros que convivem neste espaço sentem gratificados e orgulhosos por disporem de um sítio nobre para comemorar, confraternizar e descontrair de forma digna e aprazível. Com este investimento o Clube ganhou um novo rosto, tornou-se mais aconchegado e mais distinto. O salão VIP criado irá permitir realizar com mais dignidade atos oficiais com presença de personalidades distintas, como chefes de estado, governantes, empresários, entre outros. 

A grandiosidade desta comemoração é tanta que segundo as rádios local o patrono da efeméride será, Sua Excelência, Senhor Presidente da Republica Portuguesa, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa que presidirá o ato.

Das várias atribuições que dispõe esta direção, para mim, a mais pertinente é a parte filantrópica. Pois, praticar o bem, ajudar o próximo é dos gestos mais honrosos que a vida nos pode brindar. Não importa como, quem e porquê. Esta direção, nos últimos anos, tem concedido o salão para a realização de atividades de angariação de fundos, de forma gratuita desde que o propósito seja benemérito, como por exemplo, auxiliar doentes de câncer, ajudar igrejas, etc.

Sem falsa modéstia, sou daqueles, que sempre que posso, contribuo com a minha presença nessas atividades de angariação de fundos e foi, há menos de um mês, numa festa de beneficência a favor de um meu conterrâneo, que tomei conhecimento do restauro que o clube recebeu e que me deixou de queixo caído. Aproveitei o momento para parabenisar o presidente e sua equipa e, usando o meu lado humorístico, agradeci a tamanha honra que me foi concedida em remodelar a sala de banquetes parar acolher o meu cumplianos. Por este motivo, considero-me um felizardo.

A título de informação devo dizer aqui que o Clube recebe, anualmente, mais de cinquenta festas de angariação de fundos, e cerca de dois terços delas, são crioulas.

Facto curioso que anotei neste grémio, é que um número considerável dos membros falam fluentemente o crioulo, principalmente o Rui, os dois empregados de bar mais frequente, uns especialistas em comprazer clientes.

Aproveito este espaço, para convidar aos cabo-verdianos a participarem nessas comemorações de um século de vida desse vosso/nosso clube. O convite é extensivas as nossas criancinhas, pois haverá carroceis para se divertirem. Para nós adultos deixo uma sugestão: sardinha assada à portuguesa com um bom vinho verde.

É pena não poder ser sócio deste vosso/nosso clube, por eu ter nascido depois de 1975!!! Humor faz parte das nossas vivências.