O Novo TACV Não está nem aí para os cabo-verdianos no geral e a nossa diáspora em particular

  • 23/06/2018 09:51

O Dossier TACV tem deixado muita gente sem dormir. Uns pelo enigma em torno do agrément assinado entre o Governo de Cabo Verde e a Companhia Binter e outros, por desconhecerem as linhas mestras da nova política a implementada para que a movimentação de cargas e passageiros entre ilhas sejam melhor providas.

Em relação a esta questão, aconselho aos cabo-verdianos a “esquecerem”, por ora este acordo, visto que enquanto o movimento ventoinha estiver no poder, vai continuar no segredo dos deuses. Não é sigilo para ninguém que a governação do MpD baseia-se em descaso para com os cabo-verdianos, em muito secretismo, de cambalacho em cambalacho e puxando sempre a brasa para a sua sardinha. O lema deles sempre foi e sempre será, Cabo Verde e os cabo-verdianos que se lixem.

Por isso, o foco dos cabo-verdianos, em relação ao então TACV doméstico devem ser, inteirar-se se a Binter irá continuar a ligar as nossas nove ilhas em termos de frequências e de tarifas nos mesmos moldes que eram efetuados pela nossa então companhia de bandeira, ou irá sofrer alguma alteração, principalmente nas ilhas consideradas deficitárias.

Essa pergunta surge em consequências de inúmeros constrangimentos surgidos após a assunção da Binter dos voos domésticos no concernente a evacuação e transporte de doentes, entre outros, como também o óbvio, no que diz respeito de políticas e propósitos de uma companhia eminentemente privada em que o desígnio supremo é o lucro e não a parte social ou humanitária, como acontecia com os TACV. Sendo mais objetivos, a população das ilhas do Maio e de S. Nicolau, por exemplo, poderão sonhar em ter o número de voos aumentado como tem sido as suas reivindicações? Ou por serem linhas consideradas deficitárias a frequência de mesmos vão diminuir? Serão priorizadas a parte humanitária, como evacuações, desvio de rotas em socorro de um doente, em detrimento de um passageiro pagante com ok?

Caros concidadãos, são essas algumas das questões que nos devem preocupar tendo em conta a natureza ideológica e propósitos obscuros da governação ventoinha. Está a olhos de todos que para o movimento ventoinha o social e o humano não são prioridades. Temos exemplos vivo da forma como o governo e as Câmaras Municipais vêm lidando, por todos os cutelos e ladeiras de cabo-verde, com os camponeses e criadores de gado fase a carestia que vem assolando o país em consequência do mau ano agrícola. Enquanto os animais morrem a míngua e os nossos camponeses sofrem penúrias de toda a casta, tendo pessoas com dificuldade até no “quebra jejum”, em contrapartida, semana sim, semana sim os nossos governantes gastam rios de dinheiro em festivais e pândegas. Passam o tempo em arranjos de cosméticas, enquanto a maioria das populações vivem em barracas e casebres de formas desumanas, com casas para todos fechadas e a degradar-se.

Retornando ao foco do nosso artigo que é o dossier TACV, vamos agora, ver a parte internacional. Os cabo-verdianos têm mostrado alguma angústia, com maior incidência por parte dos nossos emigrantes em relação a mudança da base do hub aéreo para a ilha do Sal, sem uma justificação sólida. Não obstante, a meu ver, essa explicação é simples e de fácil compreensão. Em poucas palavras o que está na origem desta mudança, está relacionada com o facto dos TACV deixou de ser uma companhia aérea de bandeira que tem como prioritário servir a nossa diáspora, para depois pensar nos restantes. Doravante, os TACV pensa no mercado e na sua rentabilidade o que não coaduna em transportar prioritariamente os cabo-verdianos. Pelo que devemos incutir na nossa “cachimónia” que de agora em diante os nossos patrícios da diáspora viajam para Cabo Verde se e quando houver disponibilidade, respeitando sempre as normas impostas pelo mercado.

 

Porque Sal?

Há muito que Cabo Verde está á procura de um comprador para os TACV, desejo complicado e de difícil solução se pensarmos no tempo que andamos a perseguir esse intento, tendo em conta o estado caótico da nossa companhia de bandeira em termos económico e financeiro, em consequência, da sua má gestão ao longo dos tempos. Essa de privatizar, não é só querer. Podemos dizer que a Icelandair conhecendo a situação e sabendo das dificuldades encontradas neste processo, impôs algumas condições aos nossos governantes para iniciar esse  procedimento, como a reestruturação da companhia em termos dos recursos humanos e financeiros, usar a sua frota e consequentemente tripulação, assegurar a manutenção dos aparelhos, como também a necessidade de haver um período de experiência probatório sob a sua administração para implementação dos seus conceitos de políticas e estratégias e claro, à dispensa do erário público ou seja do estado de Cabo Verde. O que quer dizer que Cabo Verde é quem vai arcar com todas as despesas enquanto proeminar o tempo de ensaio das suas ideias de negócio. No final, caso a opção se vincar e se mostrar vantajoso a Icelandair compra a parte internacional dos TACV e se não, dão um aperto de mão ao Ministro das Finanças e dizem bye bye e vão se embora, deixando-nos ver navios. Este é a formato conseguido por Cabo Verde, por falta de opções para ver se livrem de vez, e o mais rápido possível deste nosso calcanhar de Aquiles que é os TACV. Os ventoinhas fizeram jus ao seu lema de campanha “sen djobi pa ladu”, e embarcaram nessa aventura, agarrando-a com unhas e dentes, deixando para depois as possíveis consequências para o país daí advenientes.

É preciso que os cabo-verdianos entendam que já não há benefícios de uma companhia de bandeira, já não há que  protestar ou pedir requisitos especiais em ocasiões festivas como o caso do primeiro de Maio no Fogo ou aumentar o número de voos por sermos um país de emigração e arquipelágico. Agora, estamos sujeitos a lei do mercado e da concorrência.

Para a Icelandair as rotas anteriormente existente e elaboradas na perspetiva de melhor servir os interesses da nossa emigração terminou e nem lhes interessa. Para elas o importante é a rentabilidade da linha, o que significa que a qualquer momento uma rota pode ser alterada ou abolida. Por isso, esta de permanecer com base do hub na ilha de Santiago, por ter o aeroporto na região que regista mais do dobro do fluxo de passageiros de e para Cabo Verde, não colhe.

A aposta da nova administração dos TACV internacional é o turismo, e é com base nessa premissa que mudaram a base para o Sal. Terminado o período probatório inicialmente acordado e sem denotar quaisquer resultados, solicitaram a ampliação desse tempo, a custa dos cabo-verdianos, argumentando, ao que parece, que ele é manifestamente insuficiente para corrigir todas as falhas encontradas nas gestões anteriores da nossa companhia de bandeira.

Resumindo-se e concluindo, a TACV só será privatizada se Icelandair conseguir torna-la, durante essa fase experimental, numa companhia rentável. E caso isso acontecer, os cabo-verdianos não serão nem tidos e nem achados nessa nova largada.

 

By Carlos Tavares

Usa, 22 Junho 2018