Accionistas da CV Fast Ferry surpreendidos com anúncio de encerramento da empresa

  • 10/03/2018 09:23

O anúncio feito esta semana pelo ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima de que a Cabo Verde Fast Ferry vai ser extinta apanhou de surpresa os accionistas, logo numa altura em que a CVFF é a única empresa cabo-verdiana do sector a passar à segunda fase do concurso internacional para concessão das operações marítimas inter-ilhas, cujo vencedor será conhecido no mês de Maio.

O ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima, José Gonçalves, anunciou esta semana que a transportadora marítima Cabo Verde Fast Ferry, onde o Estado de Cabo Verde detém 53% das acções, vai ser extinta em breve. A informação caiu que nem uma bomba na cabeça dos accionistas privados.

Estes, ao que Santiago Magazine apurou, estão determinados em confrontar o Governo e exigir do ministro do Turismo, Transportes e Economia Marítima, José Gonçalves, o esclarecimento público das suas afirmações, feitas a partir das antenas da RDP-África e numa altura em a CVFF foi aúnica empresa cabo-verdiana a se qualificar para a segunda fase do concurso internacional lançado pelo Executivo para a concessão das operações marítimas inter-ilhas, cujo vencedor será conhecido no mês de Maio.

Gonçalves, segundo fontes de SM, terá justificado informalmente a alguns accionistas de que as suas declarações teriam sido “descontextualizadas” pela imprensa que fez eco da sua entrevista à RDP.

Entretanto, as suas palavras são muito claras: “Provavelmente, eu diria, uma resposta muito frontal, sim (…) Com as dividas acumuladas, não tem sustentabilidade para se configurar no figurino da concessão única”, disse o governante quando questionado se a CVFF iria ser extinta caso outra empresa vença o concurso para operar nas ilhas. E insistou que com o lançamento do concurso internacional de cedência de serviço de transporte marítimo inter-ilhas, “a actual empresa pública (CVFF) não é sustentável”.

(Ouça a entrevista na íntegra, e a parte sobre o tema em questão, a partir do minuto 09.20 aqui:https://www.rtp.pt/play/p389/entrevista-rdp-africa)

Santiago Magazine tentou contactar os administradores da CVFF que, neste momento, se recusam a prestar quaisquer declarações sobre o assunto. Mas, Andy Andrade, fundador do projecto e residente nos EUA, confirmou em exclusivo a este diário online os accionistas esperam uma reacção do Governo à notícia sobre a extinção da Cabo Verde Fast Ferry antes de tomarem alguma posição.

Andrade diz acreditar na “boa intenção” do Executivo e diz aguardar “com expetativa” o pronunciamento do ministro da tutela dos transportes marítimos a fim de esclarecer esta notícia. Porque, assegura o promotor da CVFF, a “situação insustentável” da dívida da CVFF descrita pelo governante “não corresponde à verdade”. "A empresa tem dívida sim, mas a maioria negociada a longo prazo para serem pagas no ano 2029", afirmou.

Este investidor lamenta que tal notícia tenha sido despoletada num momento em que decorre o concurso para concessão das operações marítimas inter-ilhas e que encerra no próximo mês de Maio, o que, a seu ver, é “muito lesiva aos interesses e chances da CVFF neste processo”.

“Como é que a CVFF é a única empresa nacional a passar para a segunda fase desse concurso, conjuntamente com mais três empresas armadoras estrangeiras que apresentaram as suas propostas e cadernos de encargos?", observa o nosso entrevistado, para quem, ao afirmar que a Fast Ferry está falida, o ministro indirectamente estará a afirmar que “o Estado de Cabo Verde está falido, pois é este o maior accionista da CVFF”.

Proprietária dos navios Kriola, Liberdadi e Praia d’Aguada, a Cabo Verde Fast tem vindo a passar por uma situação financeira complicada. Em 2013, a transportadora tinha apresentado um prejuízo de 127 mil contos, segundo contas publicadas pela Bolsa de Valores. Somando os resultados negativos de anos anteriores, ao fim de três anos completos de actividade, a CVFF tinha prejuízo acumulado de 425 mil contos.

 

SantiagoMagazine