Brava: Dirigente cessante do conselho local da Cruz Vermelha diz deixar a missão com o sentimento do “dever cumprido”

  • 11/08/2019 14:25

Edite Gomes, dirigente da comissão local da Cruz Vermelha (CV) na Brava desde 1992, considerou hoje, que após 27 anos, o balanço é “extremamente positivo” e diz ter deixado e entregado esta missão com o “espírito e o sentimento do dever cumprido”.

Estas declarações foram feitas à Inforpress, no acto da eleição de uma nova equipa para dirigir os destinos da organização, acrescentando que sente que o dever de voluntária, de alguém que gosta de trabalhar com pessoas e que o sofrimento humano lhe diz alguma coisa, é “visível” no seu olhar e na sua forma de viver no dia-a-dia.

De acordo com a mesma fonte, quando iniciou a “filosofia “da Cruz Vermelha era mais direccionada à pessoa humana e tinha menos exigências.

“A Cruz Vermelha possui a sua área principal que é a questão humanitária, e sempre deu atenção a esta parte e neste momento, devido aos trabalhos desenvolvidos, a instituição, possui uma grande visibilidade na ilha”, salientou a voluntária da CV.

Na ilha, explicou que trabalham com idosos, deficientes, acamados e deportados. Segundo Edite Gomes, é nesta parte que entra o aspecto humano da instituição, pois, explicou, são pessoas idosas, acamadas para quem dedica parte do seu tempo , trabalhando com elas nas suas residências.

À Inforpress, lembrou que há 24 anos que começou funcionar o Centro Dia na ilha, onde tos os frequentadores usufruem de uma refeição quente, higiene, actividades físicas, roupas lavadas e passadas, visitas de enfermeiros, medicação, entre outras “regalias”.

Esclareceu, entretanto, que para as pessoas em casa há uma certa limitação, sendo às vezes apenas possível fazer a entrega da refeição e alguma visita periódica dos voluntários.

Em relação aos retornados, adiantou que quem é responsável para esta camada é a câmara municipal, que deveria ter uma política de reintegração, mas como não há, estão com esta responsabilidade.

Entretanto, salientou que é um público “difícil de gerir”, pois, cada um possui a sua personalidade própria, destacando existem aqueles que, por mais que tentem, estes não conseguem se recuperar, dando a equipa a sensação de que estão fazendo um trabalho num “saco sem fundo”.
“A única coisa que podemos fazer é lhes oferece um prato de comida e alguma atenção”, desabafou.

Em termos de outras intervenções e momentos, referiu que passaram por diversos. Relembrou da tempestade tropical Beryl, em que segundo a mesma a organização envolveu-se de “corpo e alma”, destacando que na época era a única instituição organizada, que poderia reunir forças e meios na ilha para apoiar os que necessitavam.

Ainda em termos de momentos marcantes em que estiveram presentes, falou da erupção vulcânica na ilha do Fogo, onde fizeram actividades juntamente com a sociedade civil, para apoiar as vítimas e os desalojados, e ultimamente, referiu que se envolveram na causa para apoiar as vítimas de Moçambique.

Segundo a mesma, poderia se fazer uma leitura diferente, porque já tiveram vários momentos, mas preferiu realçar a “importância de estarem unidos e de trabalharem para a causa humana, independentemente de onde estiverem”.

E como mensagem para os novos elementos do directivo, pede-lhes que em primeiro lugar coloquem os pés assentes e firmes no chão, porque, primeiro “devem dar prioridade” às áreas em que a Cruz Vermelha está vocacionada e depois abrir para a sociedade civil.

“Devem ter em mente a causa e a área, mas não é um trabalho fechado. É um trabalho que deve ser feito aberto. Devem ir ao encontro de e devem dar prioridade sempre aos mais “colocados de lado” na sociedade, finalizou.

MC/JMV

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