Brava: Pais e encarregados de educação de Cachaço insatisfeitos com funcionamento do transporte atribuído aos alunos do EBI

  • 03/10/2019 06:53

Os pais e encarregados de educação da localidade de Cachaço dizem-se “indignados e revoltados” com a situação do funcionamento do transporte atribuído aos alunos do 5º, 6º e 7º anos que se deslocam da zona para Nossa Senhora do Monte todos os dias.

Um grupo de pais procurou à Inforpress, manifestando o descontentamento e Benvinda Pinto, porta-voz do grupo, contou que há dois anos a delegação escolar da Brava prometeu um transporte exclusivo para o grupo de alunos.

Segundo a mesma, esta promessa surgiu na altura da mudança do sistema escolar, com a implementação de novas disciplinas, o que obrigou estas crianças a se deslocarem da zona para estudarem numa mais distante.

Entretanto a porta-voz adiantou que a promessa não foi cumprida e a situação vem piorando ano após anos.

Benvinda Pinto contou que as crianças, que de acordo com o horário escolar entram nas salas de aulas às 08:00, são obrigadas a se levantarem às 05:20, para apanharem o carro que transporta os alunos do liceu às seis e poucos minutos.

Ao chegarem no sítio onde estudam, “um local desamparado e sem nenhuma protecção”, estas crianças ficam na rua das 06:30, até o horário da entrada às salas de aula, sem ninguém que cuide deles e ao saírem ficam na mesma situação aguardando até que os do secundário vão da Vila de Nova Sintra para que possam ir para casa.

“Muitas destas crianças saem de casa sem comer e muitos pais não conseguem dar a elas dinheiro para se alimentarem como deve ser na escola”, disse revoltada Benvinda Pinto, acrescentado que esta medida além de contribuir para problemas de saúde, está contribuindo também para o insucesso escolar destes alunos.

Conforme a mesma fonte, estas crianças ao saírem de casa logo cedo chegam em casa por volta das 13:30 e antes da escola se iniciar já estão reclamando do cansaço e sem nenhuma vontade de estudar.

Esta mãe considera que os seus filhos estão sendo tratados como “animais”. E é neste sentido, que o grupo apela a delegação escolar da ilha, o Governo ou quem quer que seja que tenha a competência de solucionar este problema que faça alguma coisa.

“Não pedimos para que estas crianças sejam retiradas da escola na zona. Queremos que elas aprendem e por isso aceitamos. Mas também exigimos que sejam oferecidas as condições necessárias para a aprendizagem e o desempenho das mesmas”, disse a mãe, acrescentando que agora não estão a pedir mas a exigir “dignidade” pelos seus filhos ainda crianças.

Contactado, o delegado da educação da Brava, Orlando Burgo, adiantou que já está agendado um encontro com os pais e encarregados de educação desta localidade para “discussão e sensibilização” do horário do transporte, mas é o único carro que vai continuar a fazer o trajecto.

Segundo o mesmo, a FICASE (Fundação Cabo-verdiana de Acção Social e Escolar) tentou uma parceria com a câmara municipal da ilha no sentido desta assumir o transporte para estas crianças, mas não foi possível um consenso, daí, vai permanecer o único transporte que tem tido todos os anos.

MC/CP

Inforpress/fim