Estado da Nação: PAICV diz que Governo é uma “grande decepção” – MpD aponta “país melhor” e UCID vê “programas desarticulados”

  • 01/08/2019 04:58

A líder da oposição considerou hoje que o Governo tem-se revelado “uma grande decepção” para os cabo-verdianos, enquanto para o MpD o país “está melhor” e a UCID considera que se está a empreender “programas desarticulados”.

Intervindo na abertura do debate sobre o estado da Nação, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, afirmou que o executivo recorreu ao “marketing massivo”, produzindo “publicidades enganosas”, para dar a impressão de que está a fazer “coisas estruturantes”, quando, no entender dela, o que existem são “medidas avultadas”, tomadas de forma “inconsistente”.

“Os cabo-verdianos pagam mais para viajarem, pagam mais para terem acesso à água, luz, energia e ao gás. Os cabo-verdianos sabem que pagam mais pelos bens alimentares da primeira necessidade. Os cabo-verdianos sabem que os seus salários não aumentaram e que perderam o poder de compra”, citou a deputada.

Apontou, também, que a inclusão social está a baixar, indicando que em 2018 “cerca de 13 por cento (%) dos cabo-verdianos foram atingidos pela fome”.

A líder do PAICV afiançou, ainda, que os “grandes triunfos” da actual maioria nas campanhas eleitorais foram as promessas de crescimento económico de 7% e a criação de 45 mil “empregos dignos”, mas, no entender da mesma, volvidos três anos, o “propalado crescimento médio de 4,5% não está a ter impactos na vida dos cabo-verdianos”.

“Hoje, as pessoas sentem-se claramente, que, se o país está a crescer a 5%, como apregoa o Governo, este crescimento está concentrado num pequeno grupo de pessoas, e o executivo já sabe”, assegurou, acrescentando que “é por isso” que o desenvolvimento “não está a ter impacto” na redução do desemprego, nem na melhoria da qualidade de vida dos cabo-verdianos.

Por sua vez, o líder da bancada parlamentar do Movimento para Democracia (MpD, poder), Rui Figueiredo Soares, confirmou que o país está “muito melhor” do que em 2016, alistando ganhos em “todas as áreas do desenvolvimento”.

“Da economia às finanças, da educação à saúde, da cultura ao desporto, dos transportes aéreos aos marítimos, do turismo à segurança, todos os sectores, sem excepção, vêm conhecendo uma evolução bastante positiva, graças às diversas reformas em curso”, precisou Figueiredo Soares.

Em seu entender, “há muito por fazer”, mas, disse, estão no “caminho certo”, baseando em “políticas assertivas”.

“Mas o verdadeiro avaliador é o povo, são os cabo-verdianos, são os homens e as mulheres deste país que têm sentido e conhecido os efeitos positivos da governação do MpD, nestes três anos”, avalizou.

O parlamentar realçou, também, “melhorias” no ambiente de negócios, através de incentivos fiscais aos empresários nacionais.

“Temos desafios estruturantes a vencer, metas ambiciosas a longo prazo por cumprir, reformas promissoras em curso, visando, em última instância, tornar Cabo Verde um país desenvolvido e próspero, suportado por uma economia robusta, atractiva e competitiva, em benefício dos seus filhos”, admitiu.

No final da sua intervenção, Rui Figueiredo Soares congratulou-se, proferindo que Cabo Verde é hoje uma Nação que confia “inabalavelmente” no futuro.

Por sua vez,  o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) acusou o Governo de empreender “programas descontínuos, estabelecidos a bel-prazer e desarticulados estruturalmente do país real”, que “mais não traduzem do que aquilo que se vê e se sabe”.

“O estado da Nação é de um país à espera de um rumo firme, mas que neste momento desperdiça oportunidades, queima etapas, desbarata capacidades, devido a políticas com que se tema em fazer desenvolver este país”, indicou António Monteiro, acusando o executivo do MpD de “se desfazer de tudo o que é do Estado de forma pouco abonatória para o país”.

“Vende-se tudo a quem tanto quer e pouco paga, deixando aos contribuintes o ónus de pagar os avultados passivos das empresas”, lamentou o líder dos democratas-cristãos, para quem os governantes “não escutam as vozes que ecoam nas ruas” do país contra as assimetrias, disparidades e desigualdades “gritantes e abismais” no tocante ao desenvolvimento das demais regiões.

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