rump aceita proteger os dreamers em troca de dinheiro para o muro

  • 09/10/2017 11:06

A Casa Branca entregou ao Congresso um conjunto de medidas que deverão guiar o acordo que permitirá a construção de um muro ao longo de toda a fronteira com o México, condição imposta por Donald Trump para recuperar o programa DACA (“Deferred Action for Childhood Arrivals”), que protege de deportação cerca de 800 mil jovens imigrantes ilegais — os “dreamers” (sonhadores, em português) — e abre portas à sua legalização. O Presidente dos EUA, que usou a construção de um muro na fronteira com o México, pago pelos mexicanos, como uma das bandeiras da sua campanha eleitoral procura agora financiamento do Congresso. A moeda de troca é o programa DACA, criado em 2012 pela Administração Obama e que Trump suspendeu no mês passado.

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O documento a que a Reuters teve acesso, entregue no domingo ao final da tarde, pretende guiar a reforma na imigração e pede, para além do financiamento do muro com o México, mais 10 mil agentes para o departamento de Imigração. A lista de exigências inclui ainda mais 370 juízes e 300 procuradores, a proibição de os imigrantes trazerem os seus familiares para os EUA e a obrigação de as empresas recorrerem ao programa do governo norte-americano E-verify para impedir a contratação de imigrantes sem documentos.

"Estas prioridades são essenciais para mitigar as consequências económicas e legais de atribuir qualquer estatuto [legal] aos beneficiários do DACA", declarou Marc Short, director de assuntos legislativos da Casa Branca.

A lista de exigências de Trump foi imediatamente rejeitada pelos democratas no Congresso. “Dissemos ao Presidente que estávamos disponíveis para um compromisso com medidas razoáveis em relação à segurança nas fronteiras, mas esta lista vai para além do razoável. Esta proposta falha a sua tentativa de representar qualquer tentativa de compromisso”, sublinharam o líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, e a líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, citados pelos jornais norte-americanos.

"A administração não pode falar seriamente sobre compromissos ou sobre ajudar os sonhadores quando a sua lista é o anátema dos sonhadores, da comunidade de imigrantes e da vasta maioria dos americanos", reagiram. “A lista inclui o muro, que foi explicitamente excluída das negociações. Se o Presidente quer realmente proteger os dreamers, a sua equipa não agiu de boa-fé para o concretizar”´, acrescentaram, referindo-se ao anterior compromisso de Trump, que havia excluído a discussão do muro nas negociações sobre o programa que irá substituir o DACA.