DOMINGAS ANDRADE COELHO: A política é importante porque dá-nos oportunidade de servir

  • 08/10/2018 12:33

Chegou à política pela via do Presidente Orlando Balla, pessoa que a inspira e faz questão de sublinhar este aspeto. Em conversa com OPAÍS, a jovem Vereadora em Nova Sintra explica que a política é algo nobre onde “só seremos úteis se formos capazes de ajudar os outros”

Licenciada em Serviço Social, Domingas Andrade Coelho é uma jovem que se dedica à política, exercendo funções de Vereadora na Câmara Municipal da Brava.

Semana passada esteve na Cidade da Praia e à margem da sua agenda, conversou com OPAÍS sobre o seu percurso, tendo revelado como chegou a Vereadora.

Tudo começou depois de concluir a sua licenciatura no Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais, na Cidade da Praia. Corria o ano de 2014 e de regresso à sua Brava abraça um projeto da Cooperação Luxemburguesa ligado à Informação, Educação e Comunicação, onde exerce por cerca de seis meses.

Um dia aparece o então Presidente da Câmara local, Orlando Balla, que lhe convida para entrar as listas para as Autárquicas de 2016.

“Surpresa” com o convite, até porque “nunca fui ligada à política”, a jovem natural de Cachaço mas que agora reside em Nova Sintra, resolve aceitar o convite, confiante nas suas capacidades e por acreditar que Orlando Balla “é um homem íntegro, que me inspira e disposto a trabalhar para o bem da ilha” e diante da oportunidade de “juntos trabalharmos, aceitei o convite”.

“Ele é um homem preocupado com as causas sociais, e isto facilitou a minha decisão”, entretanto, depois de vencer as eleições Domingas Coelho vai tutelar uma pasta que nada tem a ver com a sua formação: Urbanismo, Ambiente e Saneamento.

Mas foi fácil este desafio? Perguntamos, e a resposta veio nestes termos: “fácil nunca foi mas tínhamos motivação e o Presidente nos incentivava”, responde.

Origem política

Sem receios, Domingas Andrade Coelho revela que, apesar de nunca se ligar à política, ela veio de uma família muito conotada com o PAICV e recorda que durante a sua juventude, a Edilidade bravense era liderada pelo PAICV, inclusive um seu tio, Francisco Coelho, era das mais destacadas figuras do PAICV na lha, chegando mesmo a presidir a Assembleia Municipal.

Em casa, os pais eram militantes ferrenhos do PAICV mas com o andar dos tempos, mesmo antes de ela entrar para a campanha autárquica pelo MpD, seus progenitores decidiram abandonar a militância por razões que ela prefere não comentar nesta conversa.

“Meus pais me apoiam”, revela, garantindo que a sua motivação para a política reside na possibilidade de poder ajudar outras pessoas.

Servir

“Só seremos úteis na política se formos capazes de ajudar os outros”, observa, realçando a sua determinação de lutar por causas sociais. “Somos servidores”, acentua ao mesmo tempo que fixa, com determinação, seu olhar no Repórter.

Tu tens ambição na política, Domingas? A esta pergunta, a jovem de 31 anos de idade e mãe de um filho de 11 anos faz uma pausa, reflete e depois responde: “Tenho vontade de conhecer mais e poder ajudar mais. Se tenho ambição para cargos, agora, não te sei dizer, mas sei que quero ajudar as pessoas”, reitera.

Nobreza

Com serenidade, Domingas rebate algumas posições e críticas que muitas pessoas têm sobre os políticos, muitas vezes acusados de não serem sérios ou de fazerem muito pouco.
“Há uma ideia negativa dos políticos e passa-se a imagem de que somos todos iguais, mas não somos”, faz questão de sublinhar.

“A política é importante, dá-nos oportunidade de servir, dar o nosso melhor”, revela, para de seguida considerar que quem esteja na política, sobretudo, deve pautar sua conduta pela moralidade e ética.

“Nós nos inspiramos no Presidente Balla, homem sério, que atende todas as pessoas e sabe dialogar mesmo quando não tem meios para ajudar, mas sempre tem uma palavra de conforto. É um homem diferente”, enfatiza, lamentando que o Autarca tenha cessado funções sem poder continuar o seu projeto para a Brava. “Ele teve razões ponderosas de ordem familiar e de saúde, não foi fácil a decisão mas teve que decidir assim”, comenta.

Alguém na política quase não tem horas vagas, mas a nossa entrevistada revela que faz questão de manter uma boa relação com a sua família, sobretudo com seu filho. Agora residente em Nova Sintra, assim que pode vai ao seu Cachaço rever a zona e outros familiares.

Domingas não tem o sonho de emigração mas deseja conhecer outros países para poder aperceber, melhor, “outras realidades”.